Grupo de Estudos do MPT discute inclusão de pessoas neurodivergentes no mundo do trabalho

Reunião, promovida pela Coordigualdade esta semana, ouviu especialistas para subsidiar futura cartilha institucional

 

Teleconferência organizada pela Coordigualdade discutiu questões de inclusão de neurodivergentes
Teleconferência organizada pela Coordigualdade discutiu questões de inclusão de neurodivergentes

Foi realizada nesta semana reunião coletiva do Grupo de Estudos Inclusão de Pessoas Neurodivergentes no Trabalho do Ministério Público do Trabalho. Realizado via teleconferência na tarde de 28 de abril, o encontro, promovido pela Coordenadoria Nacional de Promoção de Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho (Coordigualdade), reuniu especialistas para subsidiar a elaboração de uma futura cartilha institucional sobre o tema. O evento foi conduzido pela coordenadora do grupo, procuradora do Trabalho Thais Fidelis Alves Bruch, do MPT-RS, e teve participação da procuradora Flávia Bornéo Funck, vice-Coordenadora regional da Coordigualdade no RS.

Em sua fala na abertura da reunião, a procuradora Thais Bruch apresentou as principais causas que inspiraram a criação do Grupo de Estudos e quais os principais problemas a serem enfrentados hoje para estimular a inclusão de pessoas neurodivergentes no mercado de trabalho:

"Para além do descumprimento ao longo dos anos da obrigação legal de contratar pessoas com deficiência, verifica-se que as organizações, públicas ou privadas, não têm se mostrado preparadas para acomodar trabalhadores neurodivergentes. Faltam-lhes processos seletivos inclusivos, qualificação e capacitação de gestores, adaptações razoáveis no meio ambiente de trabalho, bem como treinamento dos trabalhadores responsáveis pela área de recursos humanos", relatou a procuradora.

Na sequência, as procuradoras do trabalho Danielle Corrêa e Fernanda Naves apresentaram as ações e o propósito da Coordigualdade do MPT, e a procuradora Adriana Maria Silva Cutrim fez a apresentação dos objetivos específicos da reunião coletiva. O objetivo central do encontro foi ouvir especialistas sobre os principais conceitos relacionados à neurodivergência, com base em evidências técnico-científicas, marcos legais de inclusão no mercado de trabalho e boas práticas observadas no Brasil e no mundo.

Na sequência, foi a vez da apresentação da neurologista Renata Kieling, PhD em Comportamento e desenvolvimento típico e atípico e dificuldades de aprendizagem. Ela falou sobre os critérios para diagnosticara pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), atuais discussões conceituais sobre o tema e como esses debates impactam na inclusão no trabalho. Após, o neuropsicólogo Damião Silva, escritor e palestrante especialista em educação inclusiva, comentou o impacto das neurodivergências na inclusão e no acesso ao mercado de trabalho.

A terceira participante do encontro, a médica Lailah Vasconcelos de Oliveira Vilela, auditora-fiscal do Trabalho e diretora adjunta de Direito da Pessoa com Deficiência do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário, explicou como o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) tem feito o enquadramento de pessoas com TEA para fins de cumprimento de cota de PCDs.

Em seguida, falou o psicólogo Marcelo Vitoriano, psicólogo, articulista da Revista Autismo e um dos autores do livro Diversidade e Inclusão e suas Dimensões - Volume II. Atualmente CEO da Specialisterne Brasil, organização social de origem dinamarquesa que atua na formação e inclusão de pessoas autistas no trabalho, Vitoriano apresentou cases de sucesso na inclusão de pessoas neurodivergentes – incluindo as que não são pessoas com deficiência.

Tags: 2025, Maio

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