MPT-RS lança projeto para combater adoecimento mental de agentes de segurança pública

Programa pretende articular órgãos públicos, entidades de classe, especialistas e a sociedade civil

Pesquisa realizada pela UCP mostrou que número de suicídios de agentes da segurança nos últimos anos supera mortes pela violência em campo
Pesquisa realizada pela UCP mostrou que número de suicídios de agentes da segurança nos últimos anos supera mortes pela violência em campo

O Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul (MPT-RS) instaurou, neste mês de setembro dedicado à campanha nacional de conscientização sobre a prevenção do suicídio, um Procedimento Promocional (PA-PROMO) para implementar políticas públicas voltadas à saúde mental dos profissionais da segurança pública no Estado. A iniciativa surge diante do aumento alarmante dos casos de adoecimento psíquico e suicídios entre policiais e agentes penitenciários.

Segundo estudo realizado este ano pelo Grupo Interdisciplinar de Trabalho e Estudos Criminais-Penitenciários (GITEP) da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), entre 2019 e 2024, foram registrados 51 suicídios de agentes de segurança no RS, número que supera as 31 mortes violentas de policiais militares no mesmo período. O levantamento indica ainda um aumento de 1.500% nos casos desde 2018, com maior incidência na Brigada Militar, especialmente entre praças. Homens representam 94% das vítimas.

O cenário também é crítico entre policiais penais. Dados nacionais apontam que 13% dos 821 suicídios de profissionais de segurança pública entre 2018 e 2023 foram de policiais penais. Esses profissionais enfrentam riscos específicos, como sobrecarga, falta de recursos e exposição constante a situações traumáticas.

O procedimento foi aberto pela procuradora Sheila Ferreira Delpino, coordenadora para o RS da Coordenadoria Nacional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho e da Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (Codemat). Parte dos dados alarmantes sobre o adoecimento psíquico de trabalhadores da segurança pública foram trazidos ao MPT-RS pelo deputado estadual Jeferson Oliveira Fernandes, em reunião realizada em maio com as então procuradora-chefe da PRT-4, Denise Maria Schellenberger Fernandes, e vice-procuradora-chefe, Martha Diverio Kruse. O deputado, na ocasião, compartilhou a a intenção apresentar ao parlamento um projeto de lei visando a criação de um Programa de Saúde Mental para servidores da área.

O procedimento gaúcho também busca inspiração em programa semelhante desenvolvido no Rio de Janeiro, que tem como pilares a assistência ampla e integrada e a prevenção do adoecimento psíquico. Entre as ações previstas pelo modelo fluminense, destacam-se: sistema de vigilância e registro de doenças mentais e tentativas de suicídio; diagnóstico inicial da saúde mental dos agentes; avaliações periódicas multidisciplinares; ampliação do acesso a atendimento psicológico e psiquiátrico e programas de prevenção e valorização profissional, incluindo palestras, rodas de conversa e campanhas de conscientização. Com a instauração do PA-PROMO 003581.2025.04.000/5, o MPT-RS pretende articular órgãos públicos, entidades de classe, especialistas e a sociedade civil para construir um plano similar que atenda às especificidades do Rio Grande do Sul, garantindo um ambiente de trabalho mais saudável e seguro para quem atua na linha de frente da proteção à sociedade.

Neste Setembro Amarelo, o Ministério Público do Trabalho alerta que a participação social será fundamental para o sucesso do programa. O MPT-RS convida instituições, organizações da sociedade civil e cidadãos a contribuírem com sugestões e apoio às ações que visam preservar vidas e valorizar os profissionais da segurança pública.

PA-PROMO 003581.2025.04.000/5

Texto: Carlos André Moreira (reg. prof. MT/RS 8553)
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Tags: 2025, Setembro

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