MPT participa de audiência pública para discutir feminicídio e violência contra a mulher

Encontro foi realizado na Assembleia Legislativa, promovida pela Comissão de Cidadania e Direitos Humanos (CCDH) da Casa

Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul (MPT-RS) participou nesta quarta-feira (4/3), de audiência pública promovida pela Comissão de Cidadania e Direitos Humanos (CCDH) da Assembleia Legislativa (AL-RS) para debater estratégias de enfrentamento ao feminicídio e à violência de gênero no Estado do Rio Grande do Sul.

O MPT-RS foi representado na audiência pelo procurador regional do Trabalho Viktor Byruchko Junior, integrante do Comitê Gestor Regional de Equidade de Gênero, Raça e Diversidade da instituição. A audiência foi aberta pelo presidente da CCDH, Adão Pretto (PT), com a coordenação da deputada Luciana Genro (PSOL). A audiência contou ainda com as presenças dos parlamentares Laura Sito (PT – vice-presidente da comissão), Bruna Rodrigues (PCdoB), Sofia Cavedon (PT), Gerson Burmann (PDT), Pepe Vargas (PT), Airton Lima (PODE), Nadine Anflor (PSDB) e Kaká D’Avila (PSDB).

"Esta audiência pública, proposta por esta comissão, mas assinada por vários parlamentares, várias outras deputadas, faz esse debate necessário sobre esse tema que tem preocupado todos nós e nos assustado por demais”, comentou Adão Pretto na saudação aos presentes.

A deputada Luciana Genro, que dirigiu os trabalhos da audiência, também ressaltou a importância da presença múltipla de entidades e instituições no encontro.

"Temos um conjunto de projetos de lei tramitando aqui na Assembleia Legislativa que dialogam com esse problema da violência contra as mulheres. A partir de proposta da deputada Bruna (Rodrigues, Procuradora da Especial da Mulher na AL), deliberamos por fazer um esforço concentrado a fim de que houvesse um pacote de projetos a serem votados ainda durante o mês de março. E participação de agentes do Governo do Estado aqui nesta audiência é importante porque queremos aprovar projetos que o Governo queira implementar. Não adianta aprovarmos projetos que não serão aplicados ou não terão recursos”, disse a deputada.

A audiência, realizada na Sala Professor Salzano Vieira da Cunha, na AL-RS, faz parte de um conjunto de iniciativas promovidas pela CCDH como parte da Semana da Mulher – e que inclui ainda o lançamento do Relatório Lilás 2025 e a abertura da exposição Meu Bem, Meu Mal, que exibe obras da artista visual Graça Craidy no Espaço Deputado Carlos Santos, no hall de entrada do Palácio Farroupilha.

procurador Viktor Byruchko Jr., em sua fala, mencionou as agressões que ocorrem no ambiente de trabalho, expressão da mesma cultura que permeia a nossa sociedade, e que, em casos extremos, se traduz na escalada recente de violências físicas contra mulheres, incluindo o aumento recente dos casos de feminicídio – levantamento feito pela Frente Parlamentar de Homens pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, da AL-RS, demonstrou que os feminicídios aumentaram em 53% nos meses de janeiro e fevereiro deste ano em comparação com o mesmo período de 2025.

Viktor Jr. pontuou a importância da compreensão a respeito do que é violência contra as mulheres no ambiente laboral. Para além do aspecto brutal do feminicídio, destacou a importância do avanço na compreensão do que, geralmente, não é percebido como violência nem pelas mulheres. Embora outros recortes possam destacados, como envolvendo a reserva de vagas para pessoas com deficiência e a contratação de aprendizes, em número e recorrência as ilegalidades atingem principalmente as mulheres. Mencionou, como exemplos, a obrigação de apresentação de atestado de gravidez para obtenção de período de afastamento, inclusive complementar, e o não cumprimento da obrigação legal de organização de uma escala de revezamento quinzenal, que favoreça o repouso dominical para as mulheres.

Também participaram, de modo online ou presencial, representantes das instituições Ministério da Cidadania e Direitos Humanos; secretarias estaduais de Políticas para as Mulheres, de Saúde, de Segurança Pública, de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, de Sistema Penal e Socioeducativo; Chefia de Polícia; Tribunal de Justiça do Estado do RS (TJ-RS); Tribunal de Contas do RSTribunal do Trabalho da 4ª Região (TRT-4); Ministério Público Estadual (MP-RS); Defensoria PúblicaPolícia CivilPolícia Rodoviária Federal (PRF), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) além de outras entidades e movimentos da sociedade civil.

Audiência Pública para discutir violência contra a mulher foi realizada na Assembleia Legislativa. Foto: Claudio Fachel/AL-RS
Audiência Pública para discutir violência contra a mulher foi realizada na Assembleia Legislativa. Foto: Claudio Fachel/AL-RS

Tags: Março

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